TL;DR
Denunciar um golpe digital no Brasil requer agir em múltiplas frentes: Boletim de Ocorrência online, acionamento do banco (MED 2.0 para Pix), denúncia no Banco Central e, em alguns casos, o PROCON. Neste guia você tem o passo a passo completo, com links diretos para cada órgão.
Por que denunciar um golpe é essencial (mesmo sem recuperar o dinheiro)?
Muitas vítimas de golpes digitais não denunciam por acreditar que "não vai adiantar nada". Esse pensamento, embora compreensível, é prejudicial por três razões:
1. O B.O. é pré-requisito para ressarcimento: a grande maioria dos bancos exige o Boletim de Ocorrência como documento obrigatório para iniciar qualquer processo de ressarcimento ou análise de fraude. Sem o B.O., o banco simplesmente não processa o pedido.
2. Cada denúncia alimenta bases de dados que previnem futuros golpes: o CERT.br, o Banco Central e as delegacias de crimes cibernéticos usam os dados de denúncias para identificar padrões, fechar contas fraudulentas e desmontar quadrilhas. Sua denúncia protege a próxima vítima.
3. Em alguns casos, o dinheiro pode ser recuperado: o MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução) do Banco Central consegue rastrear o dinheiro além da primeira conta receptora e bloquear valores nas primeiras horas. A denúncia imediata ao banco é o acionador desse mecanismo.
Passo 1: Registre um Boletim de Ocorrência online
O B.O. digital é o primeiro passo em qualquer denúncia de golpe. Você não precisa ir até uma delegacia física — a maioria dos estados permite o registro online.
Links para B.O. online por estado:
— São Paulo: www.delegaciadigital.sp.gov.br
— Minas Gerais: www.delegacia.mg.gov.br
— Rio de Janeiro: www.delegaciaonline.rj.gov.br
— Paraná: www.delegaciavirtual.pr.gov.br
— Outros estados: busque "delegacia online [nome do seu estado]"
O que informar no B.O.:
— Descreva o golpe em detalhes: como aconteceu, qual valor foi perdido, qual canal foi usado (WhatsApp, e-mail, telefone, Pix, etc.)
— Inclua todos os dados disponíveis do golpista: número de telefone, e-mail, conta bancária, URL do site falso
— Anexe prints de conversas, e-mails, comprovantes de transferência
— Informe o CNPJ ou CPF do recebedor fraudulento se disponível
Guarde o número do protocolo do B.O. — você precisará dele para todas as etapas seguintes.
Passo 2: Acione o banco imediatamente (MED 2.0 para Pix)
Para golpes envolvendo Pix, acionar o banco é URGENTE. O Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), regulamentado pelo Banco Central, permite bloquear e recuperar valores transferidos fraudulentamente — mas funciona principalmente nas primeiras horas após a transação.
Como acionar o MED 2.0:
1. Ligue para o 0800 do seu banco ou acesse o app imediatamente
2. Informe que foi vítima de fraude e quer acionar o MED
3. Forneça os dados da transação: chave Pix destino, valor, horário
4. Peça o número do protocolo de acionamento do MED
O banco tem 7 dias para analisar e outros 96 horas para executar a devolução. Segundo o Banco Central, o MED 2.0 (lançado em fevereiro de 2025) consegue rastrear o dinheiro além da primeira conta receptora, aumentando as chances de recuperação.
Para outros golpes (cartão, boleto, empréstimo fraudulento):
— Informe ao banco sobre o golpe e peça a contestação da transação
— Solicite o bloqueio de cartões comprometidos
— Para empréstimos contratados fraudulentamente, informe que não reconhece a operação e peça o cancelamento
Passo 3: Denuncie ao Banco Central
O Banco Central do Brasil é o órgão responsável pela supervisão do sistema financeiro e tem poderes para investigar fraudes bancárias.
Como denunciar ao Banco Central:
Pelo Registrato (registrato.bcb.gov.br): plataforma oficial do BC onde você pode consultar suas chaves Pix, verificar contas suspeitas e registrar reclamações formais.
Pelo Fale Conosco do BC (www.bcb.gov.br/acessoinformacao/reclamacoes): formulário online para registrar reclamações contra bancos e fintechs.
Por telefone: ligue 145 (Banco Central, segunda a sexta, das 8h às 20h).
Quando denunciar ao BC é mais importante: quando o banco se recusa a reembolsar uma transação claramente fraudulenta, ou quando a instituição financeira é parte do problema (ex: não implementou medidas de segurança adequadas).
Passo 4: Denuncie ao PROCON e órgãos de defesa do consumidor
Se a fraude envolveu uma empresa ou o banco não cooperou com o ressarcimento, o PROCON é o próximo passo.
Como registrar no PROCON:
— Online em cada estado: busque "PROCON online [seu estado]"
— Na plataforma federal consumidor.gov.br (para empresas registradas)
— Presencialmente nos postos de atendimento municipais
A plataforma consumidor.gov.br é especialmente eficaz: ela conecta consumidores diretamente com as empresas, que têm prazo de 10 dias para responder. Muitas empresas resolvem o problema neste canal para evitar penalidades administrativas.
Para golpes com empresas falsas (sites fraudulentos):
Denuncie também ao:
— SaferNet Brasil (www.safernet.org.br/denuncie) para sites ilegais e golpes online
— ANATEL (www.anatel.gov.br) para golpes via SMS e chamadas fraudulentas
— Polícia Civil do seu estado: alguns estados têm delegacias especializadas em crimes cibernéticos
Passo 5: Use o GolpeZero para verificar antes que aconteça
A melhor denúncia é a que nunca precisa ser feita. O GolpeZero oferece verificação instantânea de mensagens, links, QR codes e contatos suspeitos — gratuitamente, em menos de 3 segundos.
Como usar o GolpeZero:
— Via WhatsApp: encaminhe qualquer mensagem suspeita para o número do GolpeZero
— Via app (iOS e Android): cole o texto ou o link e receba análise imediata
— Via site: use o chat na homepage para verificação rápida
O GolpeZero já verificou mais de 500 mil mensagens e identificou fraudes com 94,7% de precisão. Use antes de clicar em qualquer link, antes de pagar qualquer boleto ou Pix, e antes de responder a qualquer contato suspeito.
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Rodrigo Monteiro
Head de Prevencao a Fraudes
10+ anos em Nubank, PicPay e Mercado Livre. Professor na Udemy com 1.100+ alunos.